domingo, 21 de março de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Medicina Veterinária e Saúde Pública na RADIS


Neste mês (fev/2010) a revista Radis (Reunião, Análise e Difusão de Informações em Saúde) da ENSP/FIOCRUZ, melhor revista de saúde pública do país, veio com matéria de capa sobre a participação da Medicina Veterinária na Saúde Pública, a partir das discussões ocorridas no III Congresso Nacional de Saúde Pública Veterinária em Bonito/MS. A reportagem é do Adriano DeLavor e a matéria foi sugerida por mim e pelo Robson Bruniera que fomos conversar com os editores o ano passado.

Entrevista - Nélio Batista de Moraes

“O SUS deve ser trabalhado a partir das universidades”

Nélio Batista de Moraes, presidente da Associação Brasileira de Saúde Pública Veterinária (ABSPV), defende a inclusão do médico veterinário nas equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Para ele, esse profissional tem papel relevante, já que atua na interação entre vigilância e atenção básica, com competência para inspecionar, identificar e diagnosticar alimentos, bem como monitorar zoonoses e ameaças ao meio ambiente. Em entrevista à Radis, Nélio falou sobre a atuação do veterinário e sobre educação permanente, anunciando para 2010 a criação da primeira pós-graduação lato sensu em Saúde Pública Veterinária.
 
Qual a importância do veterinário nas discussões de saúde pública?

As ações de promoção e prevenção propostas pelo SUS também envolvem o médico veterinário. Já na década de 40, a OPAS implantou um setor de saúde pública veterinária. A área é relevante, já que tem papel estratégico na inspeção e na fiscalização dos alimentos, através da vigilância sanitária. Grande parte dos patógenos que causam processos infecciosos na população chega através da ingestão de leite, carnes, ovos, mel, pescados e seus derivados. O veterinário tem competência para inspecionar, identificar e diagnosticar produtos que não têm condição de ser comercializados, de ir à mesa do cidadão.

E em relação às zoonoses?

OPAS e OMS apontam que dois terços das doenças emergentes no planeta são zoonoses, enfermidades que apresentam animais em seus ciclos de transmissão, como hospedeiro, como reservatório ou como vetor. Temos que ter um sistema de vigilância para seu monitoramento. É aí que entra o médico veterinário, na identificação de problemas relacionados ao meio ambiente e que possam gerar danos à população animal. O desequilíbrio ambiental é um dos fatores que hoje contribuem de forma significativa para o surgimento de patógenos desconhecidos e de enfermidades em áreas que anteriormente não eram identificadas. Há também as doenças reemergentes, que causaram danos à população há muitos anos e que hoje retornam.

Quais seriam elas?

Temos a leishmaniose tegumentar e a leishmaniose visceral, em grande processo de expansão em áreas territoriais e que levam à morte 5% das pessoas acometidas, sobretudo as crianças. A dengue também tem um quadro gravíssimo, pelo número de casos, pelo avanço das formas graves e aumento de ocorrências entre crianças. O combate ao vetor e o controle ambiental poderão ser decisivos, se unirem a atuação do veterinário e a participação popular.

Há uma invisibilidade do médico veterinário nas políticas de saúde pública?

Eu não diria invisibilidade. Há participação efetiva do veterinário dentro do próprio Ministério da Saúde. O coordenador nacional do programa da dengue é o médico veterinário; o coordenador nacional do programa de raiva também. A saúde no Brasil, antes do SUS, se baseava na medicina curativa, hospitalocêntrica e sem resolutividade, que somente via o paciente individual e seu tratamento no hospital. Os problemas que ocasionavam a morte não eram trabalhados; com o SUS, isso mudou. Grande parte dos municípios brasileiros tem médicos veterinários em seus quadros. Apesar disso, ainda não há grande visibilidade.

Como o senhor avalia a inserção do médico veterinário nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família?

Não é possível constituir uma equipe mínima de saúde hoje sem a presença de um médico, um enfermeiro, um odontólogo, um farmacêutico-bioquímico, um nutricionista, um psicólogo e um médico veterinário, além de outros profissionais, como o assistente social e o biólogo. O NASF contribui com o trabalho dos agentes comunitários de saúde (ACS), cujos resultados já são visíveis para toda a população. Recentemente, incluíram-se na Estratégia de Saúde da Família diversos profissionais de apoio, mas o médico veterinário não participa dessa equipe. Já que buscamos uma política de integração da vigilância com a atenção básica, precisamos sensibilizar a Secretaria de Atenção à Saúde para que ela inclua este profissional fundamental.

Como a categoria tem atuado nessa sensibilização?

A Associação Brasileira de Saúde Pública Veterinária, criada em 2005, tem promovido o médico veterinário e apoiado suas ações. Em 2010, teremos cursos a distância, em parceria com a UniCEUB, em Brasília, e a primeira pós-graduação lato sensu em saúde pública veterinária, parceria com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo. O curso terá duração de 450 horas e abrangerá temas das áreas técnica, científica e de gestão, para que o profissional também esteja qualificado para assumir postos estratégicos na área de saúde. Além disso, poderemos requerer, junto ao Conselho Federal de Veterinária, o título de especialista para profissionais que atuam na área.

Um estímulo para integração da saúde veterinária com a saúde pública...

Com toda certeza. O SUS deve ser trabalhado a partir das universidades, para que o sistema de saúde já receba profissionais com a qualificação mínima para o mercado de trabalho. O ideal é continuar a qualificação, com educação permanente. Isso traria benefícios para a população: na qualidade de diagnósticos, de atendimento e de tratamento público de alta qualidade. É isso que esperamos das universidades: um relacionamento cada vez mais estreito com os serviços (A.D.L.).

Fonte: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/90/capa-03.html

sábado, 28 de novembro de 2009

A IMPORTÂNCIA DO MÉDICO VETERINÁRIO NA SAÚDE PÚBLICA: PRESSUPOSTOS PARA INSERÇÃO NA ATENÇÃO BÁSICA

Autores: David Soeiro Barbosa, Robson Bruniera de Oliveira

Instituição: Escola Nacional de Saúde Pública/FIOCRUZ/RJ

Introdução

A sociedade ainda desconhece a atuação do médico veterinário na saúde pública, apesar de tal trabalho já ocorrer a bastante tempo.

O Médico Veterinário possui um campo de atuação profissional em saúde pública amplo, que abrange diversos trabalhos como:

- Pesquisa em Universidades/Instituições;

- Vigilância em Saúde;

- Tecnologia e Inspeção Higiênico Sanitária de Produtos de Origem Animal, que atualmente é de competência exclusiva da profissão;

- Controle de Zoonoses;

- Educação em Saúde;

- Defesa Sanitária Animal;

- Segurança Alimentar, entre outros.

Atualmente se discute a integração do Médico Veterinário nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), considerando seu perfil de atuação na saúde pública, onde diversas doenças e agravos de importância estão inclusas no seu escopo profissional, particularmente evidenciado, em interfaces com a saúde da família. Portanto, mais do que se ocupar da saúde das famílias, a proposição de integrar a Medicina Veterinária ao NASF, contribui para o entendimento do contexto coletivo e ambiental como gerador de doença (ABSPV, 2007).

Objetivo

Discutir a importância da participação do Médico Veterinário dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

Metodologia

Como se trata de um trabalho de discussão da importância da participação do profissional Médico Veterinário em uma estratégia de saúde já implementada, analisamos os discursos atuais dentro da classe na tentativa de integrar tal contexto e os referenciais legais que regem os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Ministério da Saúde - Portaria nº 154/08) e por fim sugerimos de que forma este profissional poderia contribuir nos NASF’s.

Discussão e Conclusões

A interdisciplinaridade, no NASF, incluindo o Médico Veterinário, qualifica o tratamento dos espaços na promoção da saúde, prevenção e controle das doenças, na perspectiva da atenção básica, possibilitando, a aproximação do profissional de Medicina Veterinária das famílias, que em última análise, são os fatores identificados como sujeitos das ações sanitárias (ABSPV, 2007).

As ações a serem desenvolvidas pelo Médico Veterinário nos NASF’s poderiam estar relacionadas à prevenção e controle de doenças, como ações de promoção de práticas preventivas relacionadas aos principais agravos da comunidade, com particular atenção para as zoonoses, doenças veiculadas por alimentos e transmitidas por vetores, buscando diminuir a ocorrência de tais agravos, realizando a vigilância e controle destes; além da identificação de áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais de maior risco aos agravos, respeitando a diversidade étnica, racial e cultural da população; realização de ações de educação em saúde, visando a conscientização da comunidade, elaborado de forma interdisciplinar com os demais profissionais do NASF.

Desta forma, a participação do Médico Veterinário torna-se de fundamental importância para a efetivação das ações de saúde no âmbito da atenção básica, considerando a atual tendência da integração com a vigilância em saúde.

Referências

Associação Brasileira de Saúde Pública Veterinária (ABSPV). Ofício n° 62 de 13 de novembro de 2007

Ministério da Saúde. Portaria nº 154. Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF, 24 de janeiro de 2008.


OBS: Resumo do trabalho apresentado no IX Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado no período de 31 de outubro a 04 de novembro de 2009, na cidade de Recife-PE.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

III CONGRESSO NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA VETERINÁRIA E I ENCONTRO INTERNACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA VETERINÁRIA - 25 a a 28 de outubro de 2009–Bonito/MS


A expressão saúde pública veterinária refere-se a definição da OPAS/OMS para esse segmento da atenção à saúde. Tal definição é a base do Programa de Saúde Pública Veterinária que a OPAS/OMS vem propondo aos seus países signatários, abrangendo as múltiplas áreas da Medicina Veterinária. Assim o III Congresso Nacional de Saúde Pública Veterinária e o I Encontro Internacional de Saúde Pública Veterinária, promovidos pela Associação Brasileira de Saúde Pública Veterinária, pretendem congregar prioritariamente, médicos veterinários de saúde pública, estejam eles ligados aos serviços (públicos e privados), ensino ou pesquisa, e outros profissionais de saúde que, por interfaces, com uma temática proposta, atuem nas áreas que se constituem no objeto dos Eventos em pauta. Os congressos abrangerão os mais diversos campos da saúde pública veterinária, tais como: prevenção, vigilância, controle e erradicação de zoonoses e agravos produzidos por animais; controle, higiene e tecnologia de alimentos; inspeção e fiscalização de produtos de origem animal; biotério; laboratório de saúde pública; planejamento, gestão e educação em saúde; ensino em saúde pública de um modo geral, quem atua nos mais diversos segmentos das vigilâncias ambiental, epidemiológica, sanitária e saúde do trabalhador.

Fonte (site do evento): http://www.portalms.com.br/congressos/sites/particular/saudepublica/index.asp